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Ao norte do continente, a colonização não veio da Espanha nem de Portugal: surpreenda-se com as Guianas e o Suriname,
onde ingleses, holandeses e franceses deixaram raízes

 

Uma canoa me leva à outra margem do rio Tacutu. Com o passaporte devidamente carimbado pelo soldado mal-humorado, me aperto por 15 horas no ônibus que sai de Lethem para Georgetown, capital da Guiana. Da beira da estrada, as árvores roçam as janelas, que seguem abertas na ausência do ar-condicionado. Chovem folhas sobre os passageiros. Assim é 80% do país: mata densa. Os cidadãos desse país se concentram na costa.


Viajam comigo muitos garimpeiros brasileiros que vêm explorar a terra com a mineração de ouro e diamante – o motor da economia da Guiana. Certas minas chegam a render entre 4 e 8 mil reais por dia. Peneire as taxas do governo e os custos de exploração, sobra um bom tanto de lucro para os investidores e de comissão para os empregados, que sorriem reluzentes. Literalmente: em Georgetown são comuns as mandíbulas cravejadas de próteses douradas, ostentadas como jóias.

 

Ao andar pelas ruas, atenção, pedestre: os carros, invariavelmente buzinando, parecem estar na contramão, mas não estão. Os ingleses inverteram a posição do volante e a direção do tráfego, como é feito em muitos países de colonização britânica. Outra herança de colonizadores vem dos holandeses. Quando estiveram aqui, eles construíram um comprido muro na orla e implantaram sua engenharia para quarteirões abaixo do nível do mar: o Atlântico chega a ser metro e meio mais alto que a Guiana. Por isso, em todas as ruas há valas e canais descobertos cheios de imundície.

 

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